Historinha mal contada

Estou achando essa história do roubo das obras de arte do Masp beeeeem suspeita. Vou explicar: não é de hoje, nem do mês passado mas, há quase um ano, que venho ouvindo e lendo a respeito das dificuldades que o museu vem passando. Dívidas acumuladas, pouca visitação, nenhuma ajuda do governo, ínfimas divulgações, mostras mal elaboradas. Vi gente fazendo campanha para revigorar o tal museu (que eu adoro), discussões acaloradas sobre estatizá-lo, críticas duras a seus curadores anteriores. Enfim... Muita discussão e pouca ação.

Aí, no mês passado acontece todo esse furdúncio e o furto de duas obras de arte importantes do acervo do museu, que não tinha nenhum tipo de sistema de segurança, que não tinha nem mesmo funcionários na hora do roubo. O Retrato de Suzanne Bloch, de Picasso e O Lavrador de Café (acima), de Portinari, foram levados facilmente. Uma vergonha e muita mídia.

E você sabe bem como a nossa polícia é eficaz, como nossos investigadores demonstram resultados rápidos e não perderm uma pista. E agora, menos de um mês depois de terem sido roubados — 19 dias, pra ser exata
—, os quadros são encontrados sem nenhum arranhão, depois de pedidos de resgate, é claro.

Não sei não... Tire suas próprias conclusões, leia a historinha aqui e depois me diga se não foi muito oportuno todo esse blá-blá-blá sobre o roubo. Pra mim, aí tem "jeitinho brasileiro" de chamar a atenção pra um outro problema do museu: a falta de dinheiro e a necessidade de ajuda externa.

Se eu fosse consultora financeira, daria a solução: venda uma ou duas obras de arte, pague as contas e se refaça. Não estou sendo radical — o negócio é ser prático. Antes "perder" alguns quadros do que todos.

Mais do que nunca, o ditado "A ocasião faz o ladrão" faz muito sentido...

Comentários

Anônimo disse…
Quantos filmes já foram feitos mostrando as dificuldades enormes de se entrar num museu? Aqui é tão fácil, lembro-me, uma vez ao levar uns parentes portugueses ao Museu do Ipiranga, eles ficaram impressionados com péssima segurança, e me indagaram se aqui não roubavam as peças. E eu com a maior cara de pau: Não no Brasil temos muito respeito com nossas obras de arte todos as vigiamos incansavelmente! Rs...