Exposição “Reclames - a evolução da propaganda no Brasil” em Santos

A evolução da propaganda é um verdadeiro retorno ao passado. Desde o início da civilização, dos “almanaques”, passando pelos carros de som, rádio e TV, até a atualidade com os projetos multimídia e internet. A exposição “Reclames – a evolução da propaganda no Brasil” tem o objetivo de retratar essa trajetória a partir do século XIX com um olhar tropical, ou seja, com o talento e criatividade das diferentes produções publicitárias no país. (Ao lado, arte de 1905.)

A exposição está disposta em 22 painéis com reprodução de textos, ilustrações, imagens, fotografias, vídeos que marcaram época — muitos deles inéditos ao público em geral —, jingles e produtos, resgatando a história, objetivos, transformações e evolução da propaganda no Brasil em seus diversos meios de comunicação.

Depois de passar pela cidade de São Paulo, a exposição aportou em Santos e está aberta ao público, com entrada franca, até o dia 17 de novembro, no Museu da Imagem e do Som, na Rua Pinheiro Machado, 48.


Um pouco da evolução — No século XIX a história da propaganda começa a ser trilhada a partir de mudanças sociais, envolvendo economia, cultura e tecnologia. Apesar de outras formas de propaganda como cartazes, painéis pintados e folhetos avulsos, o jornal impresso se torna o grande meio para anunciar compra e venda de utensílios e propriedades, ofertas de serviços, realização de eventos oficiais. Não havia pagamento aos veículos por sua divulgação.

Com o passar dos anos, a prática de anunciar cresce muito, e o que era gratuito torna-se fonte de renda para os veículos. Surge assim um novo nicho explorado pelos jornais invertendo a lógica comercial jornalística, até então vigente, que tinha no assinante a garantia de negócio. Depois aparecem as revistas e a linguagem da propaganda começa a ganhar grandes contribuições artísticas de diferentes áreas aliadas aos avanços tecnológicos, firmando a propaganda brasileira e culminando com a abertura das primeiras agências de publicidade em São Paulo. ( Ao lado arte de 1921.)

O rádio se tornou grande aliado da propaganda por sua crescente popularização no Brasil, que a partir de 1931, quando o governo federal passou a conceder à iniciativa privada a exploração do sinal, as agências passam não só a confeccionar jingles e publicidades como também produzem os programas que são patrocinados por grandes empresas, como o Repórter Esso. Os principais anunciantes são lojas de departamentos, restaurantes, lanchonetes, xaropes, remédios e produtos alimentícios. O mercado publicitário cresce e os profissionais da área sentem a necessidade de se organizarem e para tanto surge a Associação Brasileira de Propaganda (ABA), o Conselho Nacional de Imprensa (CNI) em 1949, e posteriormente a Associação Brasileira de Agência de Propaganda (ABAP).
Nos anos 50, o sonho da sociedade de consumo, na qual todos têm acesso, mesmo que na teoria, a novas tecnologias, se instaura nacionalmente, ganhando força em 1956 com Juscelino Kubitschek com o slogan “50 anos em 5”. Um automóvel, uma geladeira, um fogão, uma máquina de lavar, tudo ao alcance, bastando apenas parcelar em suaves prestações. E é neste panorama que surge a televisão, que traz grandes mudanças e possibilidades ao mercado publicitário.

Mais uma vez, a exemplo do rádio, a publicidade conduz os anos iniciais da televisão no Brasil. À medida que o país cresce, o setor de propaganda e de publicidade também cresce e conse-
qüentemente a TV. As “garotas propagandas”, dos programas e comerciais ao vivo, ganham fama e prestígio e as mais importantes foram Idalina de Oliveira, Meire Nogueira, Wilma Chandler, Odete Lara, Maria Rosa e Neide Alexandre.
(Ao lado arte de 1920.)

No século XX a propaganda e a publicidade se consolidaram dos reclames de outrora. O talento e criatividade marcam os passos dos novos agentes do setor neste milênio, que impõe novos desafios e ao mesmo tempo inúmeras possibilidades de expansão de um setor consolidado. Nestes tempos digitais, o ambiente é propício às cabeças criativas dos “vendedores brasileiros de sonhos dourados” que têm hoje no ciberespaço a possibilidade de transpor limites jamais imaginados pelos que iniciaram a caminhada.

Comentários

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