- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
O que andei lendo é que o proprietário é bem firme em seus negócios. Jorge Paulo Lemann, ex-tenista radicado na Suíça, comprou a Cervejaria Brahma em 1989. A primeira grande fusão com a Companhia Antarctica Paulista, dando origem à AmBev, e depois com a belga Inbrew, em 2004, fez dele um dos controladores da cervejaria "que hoje opera com a maior margem de lucros da indústria", diz o jornal Guardian. (Leia aqui a "Memória Viva"da Brahma e da Antarctica desde que surgiram. O máximo: antes de se unirem, brigaram por um século inteiro!)
"Ao se fundir com a Inbrew, cuja origem remonta a 1366, Lemann e seus associados, assim como três famílias aristocráticas belgas, contam com o mesmo número de assentos na diretoria, num acordo que ficou conhecido como uma fusão de iguais. Desde então, com seu protegido Carlos Brito como presidente, a Inbev persegue a todo custo uma agenda de corte de gastos e hoje abocanha os maiores lucros da indústria", diz o jornal.
“Os belgas nunca viram tantos lucros em suas cervejarias. Quando os brasileiros começaram a trabalhar com eles, estudaram e decidiram quais eram as cervejarias que realmente davam lucro e quais deveriam ser mantidas. Um negócio extremamente profissional”, nos disse um amigo que trabalha no ramo e conhece o mercado de cervejas.
O New York Times levanta suspeitas sobre os planos da nova mega-empresa em expandir as vendas da Budweiser, a cerveja mais popular dos Estados Unidos. Para nós, brasileiros, o que isso tudo significa? Mais marcas de cerveja nas lojas especializadas e também nas gôndolas de supermercados. Mas eu, particularmente, não sei até que ponto essa fusão será interessante para nós, consumidores. Por quê?
Por causa da banalização do produto. É bom ter várias opções. Adoro cerveja e não vou perder a oportunidade de experimentar o que for novo. Mas eu sei bem a diferença que foi tomar minha primeira Stella Artois em Amsterdam e depois tentar rememorar aquele sabor no Bar Brahma em São Paulo — quando ela ainda era novidade por aqui. A Quilmes que eu degustei em Buenos Aires não combina com a Quilmes daqui. Aconteceu que, nas duas vezes, as cervejas não eram as mesmas — e não venha me dizer que é porque o clima era outro, porque eu estava em outro país ou coisa do tipo.
O que eu percebo (note bem: posso estar enganada e esta ser somente minha percepção. Mas eu tenho direito de expressá-la. Quero discussões acaloradas, mas sem brigar com ninguém, hein!? Opinião de consumidora constante!) é que as cervejas que vêm de fora através de empresas como a InBev (que acaba por produzi-las aqui) são “adaptadas” ao gosto do brasileiro, acostumado a tomar pilsen, pilsen e pilsen.
Eu não sei o porquê dessa mania de achar que as pessoas não podem gostar de gostos diferentes. E a verdade é que gostam. Porque é exatamente isso: diferente do que a gente tem. E que acaba por se harmonizar com muito mais possibilidades de degustação (de comidinhas, de aperitivos) do que somente a cerveja pilsen.
A gente tem o costume de tomar a cerveja bem gelada — daquele jeito em que o sabor e o amargor dela é praticamente escondido pela sensação de refrescância. Isso é gostar de ser enganado. Está certo: a nossa cerveja é feita pra ser tomada bem gelada mas, não é interessante perceber o malte mais ou menos tostado em cada marca de cerveja? Não é interessante saber que a fermentação é feita dessa ou daquela maneira? Mais ainda: saber que a produção segue a Lei da Pureza Alemã, de não sei quantos séculos atrás e que dá certo até hoje?
O produto tem que ter história pra ser contada. É tão bom conhecer o que se está experimentado. E mais do que isso: é sempre uma boa conversa de bar!
As cervejas importadas, as cervejas artesanais. As lagers, as ales, as pilsens, as stouts, as weissen, as barley wines, as bitter ales merecem nossa aprovação também (leia sobre cada tipo aqui). Têm mais valor agregado porque têm também mais carinho em sua produção e porque cada uma é única em sua fermentação e toda sua composição. Nossas cervejas gourmets também são um charme e uma delícia: as microcervejarias vêm dando um show e sendo compradas pelas grandes — eu só espero que essas também não sejam massificadas.
Anyway, estou disposta a discutir todas essas questões importantíssimas para nossa sobrevivência — numa mesa de bar, é claro! ;)
(Com informações da Folha Online)
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Comentários