Filosofia de vida em livro

Se eles tivessem sido chamados para fornecer uma explicação leiga, os professores de Don Victor na Escola de Engenheiros poderiam ter justificado os acontecimentos em Floralinda deste modo: quando achamos que percebemos um objeto claramente — quando o vidro, a luz ou o orifício permitem que percebamos com clareza —, a natureza nos engana. Coloque a culpa na perspectiva, nas distorções do meio, nos demônios dos simulacros: você nem sempre pode acreditar no que vê. Em ótica, isso é um desvio — quando a luz é imperfeita, quando os raios não convergem para um foco bem definido. Pode ser o resultado de uma imperfeição, da distância ou talvez até de uma falha do nervo ótico. Os astrônomos dizem que isso causa o fenômeno da posição aparente dos corpos celestes.Você acha que está vendo uma estrela à esquerda, mas, na verdade, ela está à direita porque, embora todos os fios de cabelo em sua cabeça estejam parados, você está girando pelo universo a uma velocidade considerável. O mesmo acontece quando se olha pela janela de um carro em movimento e parece que a chuva cai obliquamente. Não é verdade. A trajetória da chuva é como um fio de prumo em direção ao centro da terra, seguindo o forte puxão da gravidade. Mas, sentado pacificamente em seu lugar, é difícil decompor os fatores: é você quem está correndo sobre a superfície da terra e, portanto, o que você acha que está acontecendo na verdade não está acontecendo absolutamente.
(p. 308 e 309)

- Você e eu somos pequenas criaturas em um enorme universo. Nós não somos donos de tudo que vemos. Mesmo com todo mapacho que sopro em você, mesmo com toda a ayahuasca que você bebe, você não é nada mais do que um homem. Uma pequena pedra em um grande rio. No curso de sua vida, você vai ver o mal e vai ver o bem. Você será sugado por redemoinhos, você será aquecido pelo sol. O que faz toda a diferença é como você vê o bem e o mal. Nem tudo o que é bom é fácil; nem tudo o que é mau deve ser encarado como uma guerra. Você não vai sobreviver a um redemoinho lutando contra ele, pacu. Às vezes, um homem ganha ao ceder.
(Palavras de Yourumbo, o xamã, para Don Victor, o Transformador - p. 353)

Do livro A Fábrica de Papel, de Marie Arana

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