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Você acompanha toda a trajetória de Joseph, segundo filho de um produtor de uvas. Naqueles tempos, o primogênito era quem herdava tudo do pai e o segundo filho devia seguir outro caminho. O autor conseguiu mostrar a história da época com a saga do protagonista: primeiro, tentou lutar com uma milícia sem nem bem entender o porquê, para defender os carlistas. Depois, fugiu para a França, onde aprendeu a cuidar das uvas e dar valor a elas de uma forma diferente do pai, que vendia toda a produção de seu vinhedo para fazer vinagre.
Quando voltou à sua cidade, porque o pai havia morrido, Joseph encontra o vinhedo a venda — o irmão não tinha interesse em abandonar a fábrica movida a vapor (outra novidade da época) em que trabalhava.
E ele consegue comprá-lo e é então que começa toda a história, comum a muitos descendentes de produtores de vinhos: cuidar das uvas, reformar o vinhedo, fazer experiências, começar a produzir vinho de qualidade, aprender a delegar funções, começar a pensar comercialmente, negociar preços e com gente grande. Tudo contado de uma forma que mostra exatamente a rusticidade dos trabalhadores.
Minha identificação com o livro foi óbvia porque é o que acontece com a minha família na produção de cachaça. Um passo atrás do outro, as coisas vão fluindo e exigindo sempre uma nova visão do todo.
Neste livro, você acompanha um pouco da história da Espanha no período, mas muito mais a determinação de agricultores na rotina de todo dia ter que carpir, colher, limpar, cuidar sempre daquilo que mais prezam — o que traz um resultado de trabalho que deve ser comemorado e valorizado.
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