Cultura não tão útil mas, interessante

Sabe aquelas coisas que você lê e que quer guardar em algum lugar? Tipo, recortar ou copiar pra não esquecer. Só pra ter o que conversar numa mesa de bar ou pra manter assuntos aleatórios atraentes?

Então! Eu ADORO copiar essas informações legais. E estou lendo um livro cheio de coisinhas legais. Em somente 60 páginas de "Comer, rezar, amar", veja o que já escolhi para guardar entre os meus recortes:


- Na Índia, quando você vai especialmente a lugares sagrados e comunidades que promovem a evolução espiritual, vê várias pessoas usando contas em volta do pescoço. Iogues também usam as mesmas contas. Esses cordões se chamam japa malas. São usados há séculos, para ajudar os devotos hindus e budistas a se concentrarem durante a meditação ritual. O colar é segurado com uma das mãos e manipulado em círculo — para cada repetição do mantra, toca-se uma conta. Quando os cruzados medievais foram para o Oriente durante as guerras santas, gostaram da técnica e levaram a idéia de volta para a Europa na forma do terço.

- Ciao (palavra de cumprimento em italiano) é uma abreviação de uma expressão usada pelos venezianos medievais como cumprimento informal: Sono il suo schiavo!, ou seja: "Eu sou o seu escravo."

- A Europa era uma confusão de inúmeros dialetos derivados do latim que aos poucos, ao longo dos séculos, se transformaram em alguns idiomas distintos — francês, português, espanhol, italiano. O que aconteceu na França, em Portugal e na Espanha foi uma evolução orgânica: o dialeto da cidade mais proeminente se tornou, aos poucos, a língua oficial da região toda. Portanto, o que hoje chamamos de francês é na verdade uma versão do parisiense medieval. O português é na verdade o lisboeta. O espanhol é essencialmente o madrilenho.

Na Itália foi diferente. Ela só se unificou bem tarde (1861) e, até então, era uma pesínsula de cidades-Estado em guerra entre si, dominadas por orgulhosos príncipes locais ou por outras potências européias. Assim, não é de espantar que, durante séculos, os italianos tenham escrito e falado dialetos locais incompreensíveis para quem era de outra região. No século XVI, alguns intelectuais italianos se juntaram e decidiram que isso era um absurdo. A península italiana precisava de um idioma italiano, pelo menos na forma escrita, que fosse comum a todos. Então, esse grupo de intelectuais fez uma coisa inédita na história da Europa; escolheu a dedo o mais bonito dos dialetos locais e o batizou de italiano.

Ao publicar sua Divina Comédia, em 1321, descrevendo em detalhes uma jornada visionária pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, Dante Alighieri havia chocado o mundo letrado ao não escrever em latim. Considerava o latim um idioma corrupto, elitista, e achava que o seu uso na prosa respeitável havia "prostituído a literatura". Em vez disso, Dante foi buscar nas ruas o verdadeiro idioma florentino e usou esse idioma para contar sua história. Ele escreveu sua história no que chamava de dolce stil nuovo, o "doce estilo novo" do vernáculo. Os intelectuais escolheram o italiano de Dante a língua oficial da Itália. O idioma é fundamentalmente dantesco.

- Uma velha canção country texana diz: "I've been screwed and sued and tattooed, and I'm still standin' here in front of you..." (Já fui enganado, processado e tatuado, e ainda estou aqui em pé na sua frente).

Esta última citação caiu como uma luva para o meu atual estado profissional, familiar, sentimental e todo o resto. Completamente fora do eixo mas ainda de pé.

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