- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Ótima oportunidade para mudarmos a forma de pensar a questão da água no Brasil: o brasileiro gasta, em média, cinco vezes mais água do que o volume indicado como suficiente pela Organização Mundial da Saúde. A organização recomenda o consumo diário de 40 litros diários por pessoa, enquanto no Brasil são consumidos 200 litros dia/pessoa, em média.
Segundo Paulo Costa, consultor e especialista em projetos de Uso Racional da Água, há alternativas que permitiriam reduzir o consumo de água já, sem necessidade de novos investimentos. “Programas racionalizadores do uso da água foram empregados com sucesso por cidades como Nova York e Austin, nos EUA, e Cidade do México”, relata. De acordo com o consultor da H2C, a Prefeitura de Nova York implementou um programa de incentivo à substituição de equipamentos gastadores de água — bacias sanitárias, especialmente — por outros, racionalizadores. O programa foi implementado com investimento de 240 milhões de dólares no incentivo à troca de bacias e válvulas sanitária, permitindo a economia de 288 milhões de litros por dia. Os consumidores passaram a economizar até 35% na sua conta de água mensal. A mesma atitude deveria ser seguida pelos governos estaduais e federal brasileiros, que poderiam adotar medidas racionalizadoras em escolas, hospitais e prédios públicos.
Distribuição da água — Das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, destas, mais de dois terços não estão disponíveis para consumo humano. O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível no mundo, mas mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do país.
As metrópoles dos Estados do Sul/Sudeste e Nordeste brasileiros são obrigadas a buscar água em mananciais cada vez mais distantes, devido à poluição das águas por dejetos humanos e industriais e ao assoreamento de rios, lagos e represas, a um custo que aumenta exponencialmente e com danos ao meio ambiente. Cada nova represa e reservatório de água provoca desmatamento e assim, contribui para diminuir o ciclo das chuvas e a quantidade de água doce disponível nessas regiões.
O Brasil é um dos países com o maior índice de chuvas no mundo. Mas este recurso ainda não é bem compreendido por todos. Ao contrário do que acontece no campo, onde a chuva é sinônimo de prosperidade e colheita farta, nas cidades — onde vivem cerca de 81% da população — os dias de chuva são associados a trânsito lento, enchentes e outros incômodos que associam o mau-humor aos dias nublados.
O engenheiro Paulo Schaefer, diretor comercial do AcquaSave, acredita que aos poucos o brasileiro está entendendo que a água que cai nos telhados deve ser mais bem aproveitada antes de sumir pelos ralos. “Há cinco anos, falar em aproveitamento de água de chuva no Brasil era coisa só para ecologistas; hoje é uma realidade, e as pessoas já constroem pensando neste uso. O desperdício habitual precisa dar lugar ao uso inteligente da água”, afirma.
Alguns Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Paraná estão adotando ou já implantaram a lei de retenção da água de chuva como medida para amenizar os impactos causados pela impermeabilização do solo urbana, que impede que a chuva se infiltre no solo ou evapore como antigamente. As águas captadas podem ser utilizadas na higienização de bacias sanitárias, limpeza de pisos, lavagem de carros e outras atividades que não exigem água potável. Segundo estatísticas, essas ações representam cerca de 50% do consumo das águas nas cidades.
“O armazenamento de água de chuva é uma forma muito eficaz de retenção, pois o que não for aproveitado é liberado para infiltração no solo, reabastecendo o lençol freático. O funcionamento é, em escala menor, o de um ‘piscinão’, impedindo que a enxurrada chegue imediatamente nas ruas e no sistema de drenagem, que não comporta o volume excessivo. O aproveitamento e o manejo correto da água de chuva e a instalação de telhados verdes são passos importantes para compensar os efeitos da impermeabilização crescente nas cidades”, afirma Jack Sickermann, especialista em aproveitamento de água de chuva. Dessa forma a água de chuva guardada, infiltrada e evaporada não corre pelas ruas, não carrega lixo nem poluentes, evitando doenças e amenizando os impactos sobre as cidades. Não é por outra razão que existem diversos Projetos de Lei propondo a instalação deste mecanismo em todas as novas construções em todo o país.
Comentários