Cada um dá o que tem

Como bem diz minha mãe, “cada um dá o que tem” e a gente sempre acaba por conhecer as pessoas verdadeiramente. Cedo ou tarde você reconhece quem são e como são realmente cada uma das pessoas que te cercam — ou não te cercam.

São histórias que você ouve aqui e acolá; são atitudes que as pessoas tomam quando não pensam estarem sendo observadas; são ações na hora do “vamos ver”, que mostram o que as pessoas têm mesmo a oferecer. De melhor e de pior, cada um dá o que tem.

Ando vendo muita gente mal-humorada, desanimada, de mal com a vida, sem conseguir enxergar o lado positivo das coisas. Não sei bem o que vem acontecendo, mas acredito que eu esteja muito sensível a tudo e vendo tudo de uma forma bem negativa. Erro meu também acreditar que possa julgar alguma coisa ou alguém. Mas na verdade, estou tentando mesmo é entender o que se passa na cabeça das pessoas e está muito difícil.

Acho que não ando dando o melhor de mim pra ninguém e por isso, fechada em uma conchinha, estou vendo o lado ruim de muita gente. Parece que ninguém está feliz com nada; nada é o suficiente; todos querem tirar vantagem de tudo — não há doação, não há muitas palavras amigas, a convivência se torna uma obrigação às vezes.

Os mais próximos se tornam mais distantes. E vice-versa. Adoro conversar com quem não conheço: um cliente, o gerente do banco, uma senhora na fila da lotérica, uma mãe no supermercado. Porque essas pessoas não acham que podem se sentir à vontade pra te tratar mal — a educação continua valendo para um estranho. Ele não tem liberdade para não responder a uma pergunta inocente sua e também não se sente na obrigação de te tratar bem. Ele o faz porque é assim, porque tem outra realidade diferente da sua e nem sabe disso.

Ultimamente estou meio desacreditada em relação ao ser humano. Triste, não sei o que fazer para reparar erros do passado e muito pior: as faltas de diálogo do presente. Para não errar de novo, me calo. Para não magoar, guardo comigo. Para ter menos desavenças, finjo que não vejo a indiferença.

É... A vida está difícil. Cada um dá o que tem. Eu pretendo continuar oferecendo meu sorrisão, mesmo que seja para disfarçar meus sentimentos.

(Desculpem-me e não se preocupem. Aqui é onde posso desabafar e ser quem sou. Não tenho o dia todo pra ficar triste — passou assim que o post foi publicado.)

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