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O livro de Laurentino Gomes, Diretor Superintendente da Abril é bom mas, nada além. A obra recebeu críticas positivas por todos os lados. E quem seria capaz de escrever uma linha contra o “chefe”?
Agora, não desmerecendo: 1808 é bom, bem escrito, com bastante história, mas não é tudo isso que todo mundo vem falando. Achei que fosse conhecer intimamente os costumes da corte e principalmente de D. João VI — o que talvez nem os historiadores também conheçam a fundo, por falta de documentação. O que você lê no livro é um apanhado geral de uma época. Muitos nomes, gente que eu não sabia que faziam parte desta história e muita informação que nos faz entender um pouco melhor por que somos como somos hoje.
Mas o livro me fez enxergar pelos olhos de quem chega a um novo país. Cheguei a me sentir dentro dos navios que vieram de Portugal, através das descrições em diários de pessoas que viam Salvador e o Rio de Janeiro pela primeira vez. Isso é bonito. Dá pra confirmar que o Brasil sempre foi maravilhoso.
Agora, quando essas pessoas desembarcam, conhecem nossa verdadeira pátria: suja, preguiçosa, sem cultura ou educação. É um problema que veio da cultura extrativista da colônia, que não precisava se preocupar em manufaturar nada e nem mesmo produzir nada, já que trocava suas matérias-primas por produtos finais de Portugal e quando a corte chegou ao Brasil, pelos produtos da Inglaterra.
O problema continuou a se agravar porque os próprios portugueses que acompanharam o rei para o Brasil, não acreditavam que ficariam aqui por muito tempo ou que deviam se preocupar com a cidade em que estavam. Negros escravos por todos os lados, maltrapilhos e sem expectativas; ruas estreitas e sem saneamento (as “coisas” do pseudo-banheiro eram jogadas pela janela); preocupação somente em ostentar o que se tinha (jóias extraídas de Minas Gerais, muitos escravos à sua volta).
Era uma vida fútil, como deveria de ser no resto do mundo nesta época. Mas aqui era pior porque não havia nenhuma infra-estrutura e a monarquia e mesmo o povo, demorou muito para se preocupar com isso. O que Laurentino Gomes diz, e tem razão, é que provavelmente se a corte não tivesse vindo para o Brasil, hoje o país não seria desse tamanho, teria sido dividido quando começaram as revoltar que a monarquia “estancou” e assim, nosso país não teria a força que tem hoje na América do Sul.
O triste é constatar é que fomos formados a partir do desprezo de uma nação que acreditava ser melhor do que nós e que nos deixou todas as suas dívidas quando foi embora. Note que Portugal também não estava feliz com o rei fugitivo, que os abandonou à própria sorte, na luta contra Napoleão. Como todo mundo já deve saber, D. João era um fraco.
Vale a pena ler o livro. Prepare-se para decepcionar-se (e muito) com os nossos antepassados.
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