Para repensar pensamentos e atitudes

Depois de visitar por duas vezes a Casa de Anne Frank (Na foto ao lado, a entrada para o museu), quando estive em Amsterdam e já conhecendo um pouco de sua história, li o livro da adolescente judia: “O Diário de Anne Frank”. Segundo a editora esta é a edição definitiva (de 2006), contendo o diário que foi editado pelo pai, Otto (responsável pela publicação e sendo o único sobrevivente do Anexo na Segunda Guerra) e ainda os comentários que foram considerados indiscretos — como as críticas da menina à mãe, à outra família que vivia com eles. Há mais dados também sobre a prisão da família e explicações sobre como o livro foi encontrado e finalmente publicado.

Sabia do que se tratava (Ao lado, a fachada da empresa, que dá para a rua — o anexo fica atrás): Anne Frank e seus pais e irmã, além de mais uma família que se constituía do casal e seu filho e ainda mais um senhor solteiro, totalizando oito pessoas, estiveram escondidos desde julho de 1942 até agosto de 1944, no “Anexo Secreto” — um espaço atrás de uma fábrica de geléias e temperos, que não pode ser chamado de casa. Judeus, se prepararam desde muito antes para se esconderem, já esperando pela guerra: seu pai, Otto, proprietário da empresa, repassou tudo a seus funcionários, que continuaram a trabalhar e que estiveram com eles durante todo o período de esconderijo, levando suprimentos e as notícias do mundo exterior. (Abaixo, a porta de entrada para a empresa de geléias e temperos.)

O mais interessante foi, conhecendo a história, também conhecer o gênio de Anne Frank: bastante forte. No livro, percebe-se claramente a estafa de todos por terem de ficar durante tanto tempo sem poderem sair, tendo de conviver o tempo todo, sem espaço para se refazerem das diferenças que acontecem na convivência. Como a mais nova, sendo uma adolescente (Anne foi para o Anexo com 13 anos), as crises que teve, as exigências e o amadurecimento da idade demonstram bem o sofrimento da garota. Além disso, a “escritora” faz análises de todos os integrantes do Anexo e sem perceber, mostra com detalhes a realidade de uma época dificílima para os judeus, mas não impossível (pelo menos nesse caso).

É bom ler o livro, principalmente quando estiver com algum tipo de crise: a convivência forçada destas famílias, as dificuldades que passam para se acostumarem uns com os outros; o medo de serem pegos; a fome, que os obriga a comer verduras mofadas e batatas podres; a vontade de viver. Todos os problemas nos fazem repensar nos valores que nós temos, para termos uma melhor noção do que é conforto e do que é poder sair para caminhar a qualquer momento. Coisas simples como poder ver o céu são veneradas por Anne — muitas vezes a gente não tem tempo nem mesmo de olhar para ele, não é mesmo?
Um livro leve, mas profundo que nos mostra outra versão da guerra. Há discussões sobre sua veracidade: não sobre os fatos, mas se realmente o livro foi escrito pela adolescente. (Acima, Marcelo e Anne Frank, em Amsterdam) Fala-se sobre a possibilidade de ser somente um livro de “auto-ajuda” para jovens judeus, fabricado por um ghost-writer. Eu acredito que seja verdadeiro – mas posso ser “pura de coração”, e querer ver o que me interessa. Leia e tire suas próprias conclusões. De qualquer maneira, é uma experiência e tanto!

O Diário de Anne Frank
Por Otto H. Frank e Mirjam Pressler
“Edição Defi
nitiva” – Editora Record – 2006

Comentários

Anônimo disse…
Minha nossa, parabéns pelo post! Adorei mesmo.
Anônimo disse…
Meus parabéns eu gostei muito do post