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Além do show que todos os atores/cantores/bailarinos dão, há ainda o cenário magnífico a ser notado. Casas de bambu, telhados de zinco, bicicletas e lanternas, árvores e néons de bordel. O cenário é mutante, usando praticamente sempre as mesmas estruturas, que iluminadas de maneiras diferentes, dão sentidos completamente diferentes a cada cena, a cada espaço.
Segundo a sinopse do espetáculo, é sexta-feira à noite em Saigon, instantes antes da queda da cidade e da retirada das últimas tropas americanas do Vietnã. Estamos em abril de 1975. É nesse lugar, à beira da derrota militar e conseqüente retirada americana, que um recruta americano, Chris, se apaixona por uma jovem vietnamita, Kim. Os dois vivem uma espécie de amor sem barreiras. Ela começava a trabalhar no bordel do “Engenheiro” (este sim valeu o espetáculo: fazendo o tipo de deboche, cantou, dançou, atuou e conquistou a todos que o viram em cena — o melhor artista dentre todos no palco). Lá, sempre tentava-se eleger uma “Miss Saigon”, que conseguiria ir embora do Vietnã com um dos soldados americanos, freqüentadores do lugar: realidade impossível.
Chris demonstra o que é ser o americano perfeito: tem princípios, se preocupa com Kim, tem consciência (exatamente o que o Tio Sam sempre quer vender pra gente). As juras são de união eterna, até o dia em que a embaixada americana em Saigon é invadida por tropas vietnamitas e todos os soldados são evacuados pelo telhado, em helicópteros (cena fantástica: com o uso de um telão e um som praticamente ensurdecedor das hélices de um helicóptero, parece que este está realmente dentro do teatro).
Desesperado, Chris é forçado se separar de sua amada — ele a procura e como não encontra, volta para casa. Simples assim: ele se casa com outra e continua sonhando com Kim. Sejamos irônicos: que difícil pra ele voltar a encontrá-la, não!? Isso mostra claramente o egoísmo dos americanos. A cena em que usam o telão para mostrar as milhares de crianças que nasceram depois do fim da guerra, filhas de soldados, é de arrepiar.
Além de um espetáculo fabuloso, a história, baseada em fatos reais e inspirada na ópera Madame Butterfly, é de chorar: Chris não sabe que deixou Kim grávida e esperando-o para o resto da vida. Quando descobre sobre a criança, volta ao Vietnã (vê como seria difícil voltar a procurá-la?). Eles não chegam a se encontrar: Kim toma uma decisão trágica para convencê-lo a levar o filho embora para os Estados Unidos.
O musical — Miss Saigon, um dos musicais mais bem-sucedidos do mundo, já foi encenado em 12 línguas diferentes e visto por mais de 33 milhões de pessoas em 25 países. É um dos musicais mais premiados da história: dez Tony Awards, entre os quais Melhor Musical, Melhor Direção de um Musical, Melhor Coreografia, entre outros. Ganhou também quatro prêmios Drama Desk e um Theatre World Award. Depois de mais de uma década em cartaz no West Wend e na Broadway, os brasileiros agora têm a chance de conhecer uma das maiores histórias de amor e luta de todos os tempos.
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